Estatística
A apneia obstrutiva do sono (SAOS) acomete aproximadamente 30% da população adulta mundial. A maior parte dos pacientes, entre 85% e 90%, convive com a doença sem receber o diagnóstico e continua sem tratamento
O distúrbio passou a ser visto com mais seriedade nos últimos anos, tanto por sua incidência quanto por suas complicações cardiovasculares. No Brasil, várias sociedades médicas já começaram a reconhecê-la como um problema de saúde pública
Definição
A apneia do sono é caracterizada por interrupções temporárias na entrada de oxigênio durante o sono, que se repetem, no mínimo, cinco vezes num período de 60 minutos. Isso acontece porque os músculos da parte de trás da boca relaxam, bloqueando a garganta e a passagem de ar. Um de seus sinais mais comuns e barulhentos é o ronco. Homens, obesos e idosos correm maior risco de desenvolver o problema.
Na apneia, a barulheira noturna é entrecortada por engasgos, que muitas das vezes o indivíduo nem os percebe enquanto dorme. Essas pequenas pausas na entrada de ar diminuem a concentração de oxigênio no sangue, e em casos mais graves o indivíduo fica sem respirar, podendo ser fatal
Como suspeitar se eu tenho apneia do sono?
Se você apresenta os seguintes sintomas:
– Ronco, principalmente noturno
– Sensação de sufocamento ao dormir
– Sono agitado
– Sonolência excessiva ao longo do dia (principal queixa), dificuldade de concentração e dor de cabeça matinal
– Geralmente os parceiros relatam ronco e períodos de apneia (ausência de respiração) enquanto dorme
Tem algum grupo de pessoas com maior risco de ter apneia obstrutiva do sono? Sim….
- Pessoas obesas (IMC > 30 kg/m2 ), porque favorece a infiltração de gordura na faringe;
- Sexo masculino;
- Pescoço largo;
- Idade maior que 60 anos;
- Álcool, tabaco, medicamentos à base de benzodiazepínicos (Rivotril, Diazepan, Frontal);
- Mulheres na menopausa;
- Refluxo gastro-esofâgico;
- Amígdalas e adenóides muito grandes.
Mas como confirmo o diagnóstico ?
Através da polissonografia, que consiste no monitoramento das atividades do paciente durante o sono. Como o nome sugere, a polissonografia reúne diversos testes, que são feitos enquanto o paciente dorme.
É calculado o índice de eventos respiratórios:
- Leveè 5 a 15 eventos respiratórios/h de sono (apneias, hipopneias e despertares relacionados ao esforço respiratório)
- Moderada è16 a 30 eventos respiratórios/h de sono (apneias, hipopneias e despertares relacionados ao esforço respiratório)
- Graveè 30 eventos ou mais respiratórios/h de sono (apneias, hipopneias e despertares relacionados ao esforço respiratório)
Quais são os riscos da Apnéia do Sono para o Coração ?
A apnéia Obstrutiva do Sono (AOS) é um fator de risco relevante nas doenças cardiovasculares. Pacientes com Distúrbios do Sono grave tem de duas a quatro vezes mais chances de desenvolver arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, que os pacientes que não possuem a doença. A Hipertensão arterial também é um fator de risco aos pacientes com AOS, com um aumento de até três vezes mais. A prevalência de Apneia do Sono em pacientes com insuficiência cardíaca é estimada em 40% a 70%. Pacientes com Apneia do Sono não tratada tem 2,5 mais chances de sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral) do que aqueles pacientes sem AOS
A explicação se deve ao fato de que a apneia provoca parada respiratória durante o sono. Assim, a pressão arterial e a frequência cardíaca aumentam. Além disso, os vasos ficam mais estreitos por conta da baixa oxigenação no sangue.
Fora o coração, quais as outras complicações ?
- Síndrome metabólica e diabetes;
- Disfunções neuropsiquiátricas;
- Gordura no fígado;
- Acidentes automobilísticos por sonolência na condução de veículos.
Como o cardiologista pode ajudar no tratamento ?
O tratamento é sempre multidisciplinar e varia de acordo com a gravidade do caso. O primeiro recurso terapêutico é tentar reduzir os fatores agravantes da apneia do sono
Para tanto, o paciente precisa:
- Combater as causas da obstrução nasal, do refluxo gastroesofágico e das outras comorbidades, sendo elas cardiovasculares (hipertensão, arritmia, angina, insuficiência cardíaca) ou endócrinas (diabetes, intolerância glicêmica);
- Perder peso e praticar atividade física;
- Dormir de lado e evitar dormir de barriga para cima;
- Evitar o uso de bebidas alcoólicas, cigarro , calmantes e relaxantes musculares 2 horas antes de dormir.
Se essas medidas não forem suficientes, pode-se recorrer, ainda, ao uso de próteses orais que evitam a queda da língua para trás. Mas são os CPAPs, máscaras especiais que mantêm pressão positiva e contínua sobre as vias aéreas, evitando a obstrução, o método mais eficaz e recomendado pela Organização Mundial da Saúde para o tratamento da Apnéia Obstrutiva do Sono.
Há situações, porém, em que cirurgias ou cauterizações se fazem necessárias para corrigir os elementos que geram a obstrução, como os que estão associados às alterações das amídalas e adenoides.
É importante a conscientização do paciente que o tratamento eficaz da Apneia do Sono não resulta apenas em uma maior qualidade do sono, mas também tem impacto positivo na redução da pressão arterial, insuficiência cardíaca e arritmias